segunda-feira, 30 de maio de 2011

Presidente do PR em SC é preso sob suspeita de estupro

Luciana Dyniewicz
de São Paulo

O presidente do PR (Partido da República) em Santa Catarina, Nelson Goetten de Lima, foi preso na tarde de hoje sob suspeita de estupro e aliciamento de menores. Segundo o delegado Renato Hendges, o ex-deputado federal abusou, pelo menos duas vezes, uma em 2009 e outra em 2010, de adolescentes.

A investigação aponta ainda que o político realizava orgias em seu apartamento, em Itapema (70 km de Florianópolis), nas quais participavam menores de idades. O professor Gilberto Orsi e Cristiane Alves eram os responsáveis por aliciar as meninas, ainda segundo Hendges. Os dois também foram presos.

Nelson passou o fim do dia em uma sala da Diretoria Estadual de Investigações Criminais, na Capital do Estado. O delegado afirmou que o político seria encaminhado a uma das celas da delegacia após prestar depoimento. No local, outros seis presos dividem duas celas de quatro metros quadrados cada. Nelson, que vem sendo investigado desde 2009, foi preso quando estava em uma barbearia em São José (12 km de Florianópolis). A prisão havia sido decretada na semana retrasada.

O advogado do ex-deputado, Roberto Carvalho Fernandes, disse que seu cliente vinha sendo ameaçado, por telefone, para dar R$ 50 mil a conhecidos da suposta vítima de estupro. Caso contrário, "iriam acabar com a vida dele". Ainda segundo o advogado, a menina já passou por exames que comprovaram que ela não foi estuprada.

Sempre estiveram acima da Lei...

PMDB quer 50 cargos para seguir na defesa de Palocci

Bancada do Senado quer emplacar indicações pendendes no segundo escalão desde começo do governo
Adriano Ceolin, iG Brasília | 30/05/2011 17:49

O PMDB tem na ponta da língua a solução para pacificar sua relação com o governo da presidenta Dilma Rousseff: cargos. Ao todo são cerca de 50 posições que ainda estão pendentes desde janeiro, quando começou a ser formado o segundo escalão.

Os peemedebistas se aproveitam da crise em torno do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, para conseguir as nomeações.“A caixa d´agua está enchendo. Palocci precisa ceder”, diz um senador do PMDB que costuma ser recebido no Palácio do Planalto.

Na semana passada, porém, Palocci entrou em rota de colisão com o PMDB ao ter uma discussão áspera com o vice-presidente da República, Michel Temer. O chefe da Casa Civil ameaçou demitir os cinco ministros do PMDB por causa da derrota na votação do Código Florestal.

Antes de embarcar ao Uruguai, presidenta e vice tiveram uma rápida reunião na base áerea de Brasília
Como a conversa vazou, Temer foi obrigado a vir a público para amenizar a discussão e anunciar uma trégua. Isso porque Palocci teria agido a mando da presidenta da República. Na manhã desta segunda, Dilma e o vice fizeram questão de serem fotografados amistosamente.

Hoje à noite, Temer recebe a bancada do Senado em jantar no Palácio do Jaburu, residência oficial da vice-Presidência da República. Os senadores vão, de novo, reivindicar as nomeações pendentes em empresas estatais e bancos públicos.

Ex-senador e ex-governador da Paraíba, José Maranhão é o nome da bancada do Senado para presidir a Embratur. O grupo de senadores também tenta emplacar o ex-senadores Valter Pereira (Mato Grosso do Sul) e Helio Costa (Minas Gerais ) em alguma função.

“A bancada da Câmara já teve o que queria. O Geddel (Vieira Lima, ex-deputado baiano), virou vice-presidente na Caixa e o Mendes Ribeiro (deputado federal gaúcho) ganhou a liderança do governo no Congresso. É a nossa vez agora”, afirmou um senador peemedebista.

No Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), as duas bancadas peemedebistas (Senado e Câmara) se unem para emplacar João Carlos Tupinambá numa diretoria do banco na área infra estrutura.

Os ministros do PMDB também se queixam da falta de audiência com Palocci. Desde a divulgação da notícia de que ele multiplicou o patrimônio por 20 em quatro anos, o chefe da Casa Civil tem recusado encontros com colegas peemedebistas na Esplanada.

Além de Palocci, há descontentamento generalizado com o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio. Segundo integrantes da bancada do Senado, o trânsito dele com os senadores pemedebistas é praticamente nulo.

A presidenta Dilma tenta retomar a articulação política com o PMDB na quarta-feira, quando receberá a bancada em almoço. O momento também será a oportunidade de o grupo reivindicar os cargos que ainda deseja.

Política... podre...

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Falar o que pensa... em nome da Justiça do Povo

Dezenove anos de mistério - Morte de PC Farias


Dois assassinatos em 1992, ambos de pessoas próximas a PC Farias, provocam desconfiança. O primeiro foi o do governador do Acre, Edmundo Pinto, em um hotel de São Paulo, às vésperas de seu depoimento em Brasília sobre superfaturamento em uma obra de seu estado, o Canal da Maternidade, financiada com verbas do FGTS. O crime aconteceu dias antes das denúncias de Pedro Collor. A polícia de São Paulo fechou o caso como latrocínio (roubo seguido de morte) em um mês.

Antes disto, o então ministro do Trabalho, Rogério Magri, admitira ter recebido propina para liberar os recursos. Só muito mais tarde, quando mapeou as áreas de atuação de PC, a Polícia Federal descobriu que estas verbas também eram manipuladas pelo caixa de campanha de Collor, administrada pelo tesoureiro Paulo César Farias.

O segundo assassinato foi o do sócio da locadora GM Rent a Car, de Brasília, que alugava, em nome da empresa de PC Farias, o carro usado pela secretária de Collor, Ana Acioli, Gilberto Martins. Ele foi morto a tiros em um bar de Taguatinga, no Distrito Federal, quando tomavam cerveja e jogavam sinuca. A polícia local concluiu que foi um crime comum. Gilberto Martins chegou a afirmar que tinha provas de que PC Farias pagava as contas do Planalto durante a administração de Collor.

A polícia não investigou a relação das mortes com o Esquema PC, mas tem documentos que confirmam que a corrupção movimentou mais de US$ 1 bilhão dos cofres públicos. PC Farias teria controlado quase todos os ministérios durante o governo Collor e diversos setores da economia. O ex-tesoureiro da campanha de Collor teria manipulado grandes contratos do país através da indicação de funcionários no segundo e terceiro escalões do governo para alterar documentos, criar contas fantasmas e desviar, sem pistas, verbas que deveriam ser aplicadas em obras públicas, educação, saúde, segurança e previdência social.

A Polícia Federal, ao longo de investigações no Brasil e no exterior localizou contas de PC Farias na Europa, de onde foram feitas transferências para as contas em Nova York e Miami, onde o ex-presidente Collor viveu seu exílio forçado até o final de 1999.

O diretor-geral da Polícia Federal, Vicente Chelotti, declarou que "o destino final do dinheiro eram os Estados Unidos", e que os beneficiados pelo Esquema PC seriam identificados, mas a PF ainda não tem certeza se PC Farias usou o esquema do narcotráfico apenas para lavar o dinheiro que arrecadou ilegalmente no país ou se estava efetivamente envolvido com o tráfico internacional, pois as contas mantidas por PC Farias no Exterior eram operadas pelos argentinos Jorge Oswaldo La Salvia e Luiz Felippe Ricca, procuradores do empresário.

As mortes do tesoureiro da campanha de Fernando Collor, Paulo César Farias, e de sua namorada Suzana Marcolino, ocorridas em 23 de junho de 1996, ainda são fontes de polêmica, mesmo com a conclusão de dois inquéritos. PC Farias e Suzana foram encontrados mortos por volta das 11h na casa de praia do empresário, em Guaxuma, litoral norte de Maceió (AL). Na noite anterior, PC e Suzana jantaram com o deputado federal Augusto Farias, irmão do empresário, e a namorada dele, na casa de praia.

Quando os corpos foram encontrados, PC estaria deitado de lado, sobre o braço direito. Para a polícia alagoana, depois de atirar no namorado, Suzana sentou-se na cama e deu um tiro no próprio peito, com um revólver calibre 38 comprado por ela mesma, com ajuda da prima Zélia Maciel. Os cinco seguranças e o caseiro afiramaram não ter ouvido os disparos. Resolveram arrombar a janela, segundo eles, quando o patrão não respondeu a seus chamados. Antes, um deles ligou para Augusto Farias.

Desde o princípio, o presidente do primeiro inquérito sobre as mortes, Cícero Torres, apostou na tese de crime passional. PC teria sido morto por Suzana porque ele teria ameaçado abandoná-la. As falhas na investigação, entretanto, aumentaram as dúvidas sobre a versão oficial. Não houve preservação do local do crime. Não foram procurados resíduos de pólvora nas mãos dos seguranças, e a família de PC  queimou o colchão onde ambos morreram.

As mudanças na tese também criaram dúvidas: a princípio, Cícero Torres tinha certeza de que as mortes haviam ocorrido entre 4h30 e 5h da madrugada. Depois, com a descoberta de telefonemas dados por Suzana ao dentista Fernando Coleoni, em São Paulo, depois das 5h, o horário foi mudando até se chegar à versão definitiva: cerca de 7h do dia 23.

A possibilidade de dar por encerrada uma investigação que poderia apontar uma queima de arquivo incomodou até o então ministro da Justiça, Nélson Jobim. Ele determinou à Polícia Federal que investigasse o crime. Duas semanas depois das mortes, o delegado federal Pedro Berwanger chegou a Maceió. Refez todas as investigações e não acrescentou dados novos. Mas, a seus superiores, queixou-se da falta de cuidado das investigações feitas em Alagoas.

O médico legista Badan Palhares foi a Maceió, com sua equipe, para refazer as perícias no local do crime e preparar novos laudos cadavéricos. Badan apenas endossou as conclusões de Marcos Peixoto, diretor do IML alagoano. Essas conclusões foram sempre contestadas pelo coronel da Polícia Militar George Sanguinetti, professor de Medicina Legal. Sanguinetti chegou a pedir garantias de vida por conta de suas afirmações e lançou um livro sobre o assunto.

As conclusões do inquérito presidido por Cícero Torres, entregue ao Ministério Público em setembro de 1996, não conveceram a promotora Failde Mendonça. Em 1999, ela pediu um estudo a Sanguinetti, mas descartou-o por achar que carecia de base técnica. Failde, então, pediu um novo exame a três peritos: os legistas Daniel Romero Munhoz, da USP, e Genival Veloso de França, da Universidade Federal da Paraíba, além do criminalista gaúcho Domingo Tochetto.

PC e Suzana foram exumados novamente. A conclusão do grupo é de que não há evidências suficientes para dizer que Suzana matou PC e se matou. "Não temos como dizer que não houve suicídio. Mas há evidências que falam contra o suicídio", afirma o laudo. Com a conclusão do novo inquérito, em 18 de novembro de 1999, o irmão de PC Augusto Farias e oito ex-funcionários do empresário foram indiciados por suposto envolvimento nas mortes.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Bomba na Administração de Campinas

Justiça determinou a prorrogação por mais cinco dias das prisões temporárias de seis dos onze acusados de envolvimento em fraudes em Campinas.

O juiz da 3.ª Vara Criminal de Campinas, Nelson Augusto Bernardes, atendeu ao pedido do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e determinou a prorrogação por mais cinco dias das prisões temporárias de seis dos onze acusados de envolvimento em fraudes na Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) de Campinas. Permanecem presos o ex-diretor técnico da Sanasa Aurélio Cance Júnior; o ex-diretor comercial da Sanasa Marcelo Figueiredo;e o ex-conselheiro da empresa Valdir Carlos Boscato; o ex-diretor de Controle Urbano da prefeitura de Campinas, Ricardo Chimirri Candia; o empresário da Hidrax, Gregório Wanderlei Cerveira; e o empresário da Saenge, Luiz Arnaldo Pereira Mayer. 

Foram libertados, após o término do prazo da prisão temporária decretada na ultima sexta feira, ontem, os empresários Alfredo Antunes e Augusto Antunes; o proprietário da Global Serviços, João Carlos Gutierrez, do consórcio Gutierrez; João Tomaz Pereira Júnior, da Hidrax Tubulações; e Pedro Luiz Ibrahin Hlallack, da Consultora Camargo Correia. 
Segundo os promotores do Gaeco, a prorrogação da detenção dos seis envolvidos se fez necessária para dar continuidade aos depoimentos e acareações. Todos continuam ocupando uma mesma cela anexa ao 2.º Distrito Policial de Campinas. 
Os advogados de defesa reclamaram. "É risível dizer que não houve tempo. Meu cliente está aqui desde sexta-feira em uma cela de 12 metros quadrados", lamentou Augusto Arruda Botelho, representante de ex-diretor técnico da Sanasa Aurélio Cance Júnior. 
Hoje, os promotores promoveram uma acareação entre o ex-presidente da Sanasa Luiz Augusto Contrillon de Aquino com Cerveira, Boscato e Mayer. Aquino, que só não está preso por ter se beneficiado de delação premiada, confirmou a versão sobre um esquema de corrupção, tráfico de influência e fraudes envolvendo empresários e agentes públicos de Campinas. 
Os promotores consideram foragidas nove pessoas: o vice prefeito Demétrio Vilagra (PT), que está em férias na Espanha, os ex-secretários, exonerados, Carlos Henrique Pinto e Francisco de Lagos, e ainda os empresários Ivan Goretti de Deus, Maurício de Paula Manduca, Emerson Geraldo de Oliveira, José Carlos Cepera, Gabriel Ibrahin Gutierrez e Dalton dos Santos Avancini. Vilagra deveria retornar ao Brasil nesta quarta-feira. 
Comissão processante 
A Comissão Processante (CP) da Câmara Municipal de Campinas recebeu hoje cópias dos relatórios do Gaeco. Em cinco volumes, há transcrições de conversas telefônicas autorizadas pela Justiça, cópias de documentos, depoimentos e organogramas sobre como operavam os acusados. Com os documentos, a comissão questionará o prefeito de Campinas, Hélio de Oliveira Santos (PDT), o Dr. Hélio, sobre sua responsabilidade nas ações suspeitas. Após ser notificado, o prefeito terá dez dias para responder.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Sem Lula no mensalão, Dirceu será absolvido

Em entrevista ao Congresso em Foco, Manoel Pastana explica razão da inclusão de Lula no mensalão. Procurador geral da República afirma que ainda não recebeu representação protocolada em 19 de abril
Eduardo Militão
O procurador da República que pediu a inclusão do ex-presidente Lula na ação penal do mensalão diz que, sem a presença de Lula na denúncia, o ex-ministro José Dirceu acabará absolvido. Acusado de formação de quadrilha e corrupção ativa, Dirceu foi apontado pelo Ministério Público como chefe de uma “organização criminosa” instalada no governo para desviar dinheiro público e subornar deputados. Como revelou o Congresso em Foco, o procurador Manoel Pastana pediu ao procurador geral da República, Roberto Gurgel, que inclua Lula na denúncia da ação penal 470, que tramita no Supremo Tribunal Federal.

Em entrevista ao site na tarde desta terça-feira (10), Pastana admite que a inclusão do ex-presidente vai atrasar o andamento da ação, já que todo o novo caso descrito na sua representação terá de ser analisado ou julgado. “O atraso vai acontecer, mas vai dar condições mais concretas para que aconteçam as condenações. Vai instruir melhor o processo”, disse ele.
De acordo com Pastana, Lula agiu conscientemente ao favorecer o banco BMG – uma das origens do valerioduto que abasteceu o mensalão, segundo o Ministério Público – com o sistema de crédito consignado e enviar milhares de cartas a aposentados sobre os benefícios dos empréstimos a juros baixos. O procurador disse ao Congresso em Foco que Lula fez isso orientado por José Dirceu, então seu ministro da Casa Civil. Sem a presença de Lula, argumenta Pastana, Dirceu não será condenado, porque ele próprio não assinou nenhum ato do governo que esteja relacionado ao mensalão. “O Dirceu não assinou as cartas, não baixou decretos nem a Medida Provisória”, explica Pastana.
A assessoria do ex-presidente Lula disse ao site que ele não se manifestará sobre o assunto. Por meio de assessores, o procurador Roberto Gurgel disse que ainda não recebeu a procuração de Pastana, que protocolou o documento no gabinete da Procuradoria Geral da República em 19 de abril (ver imagem).
Caso arquivado
Em 2008, Pastana fez uma representação contra o então procurador geral da República Antônio Fernando de Souza, ao Conselho Superior do Ministério Público. Ele questionava por que não houve denúncia contra Lula se era mencionada uma Medida Provisória assinada pelo então presidente que beneficiaria o banco BMG. O caso foi arquivado.
A assessoria de Gurgel disse que ele analisará se a nova representação de Pastana tem fatos novos. Caso contrário, será arquivada. Em 2008, o procurador do Rio Grande do Sul não tinha a informação sobre o envio de cartas aos aposentados do INSS por parte do próprio ex-presidente Lula. Com base nisso, o MP do Distrito Federal ajuizou uma ação de improbidade contra o ex-presidente, pedindo a devolução de R$ 9 milhões aos cofres públicos. Agora, Pastana quer a responsabilização criminal de Lula.
Voto em separado
Autor de um voto em separado na CPI dos Correios pela inclusão de Lula no rol de indiciados, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse que o procurador Pastana tem razão. “Não há como eximir o presidente da República de suas responsabilidades”, disse ele, na tarde desta terça-feira. Para Dias, o favorecimento ao BMG “fez parte de todo o esquema” que idealizou e executou o mensalão.
Líder do PMDB da Câmara em 2005, quando o mensalão tomou conta do noticiário, o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) defendeu o ex-presidente Lula. “Eu convivi com Lula todo o momento. Ele nunca faria nada que não fosse republicano”, afirmou hoje o senador e ex-ministro do governo do PT.